És um escritor de verdade?

Se escreves, mas hesitas na resposta, esta mensagem é para ti. Pois se a pergunta é difícil de responder, talvez também costumes duvidar da qualidade do que escreves, ou atribuas os teus sucessos à sorte. Talvez receies considerar-te um escritor e todos verem que és uma fraude. E talvez tudo isso (e ainda mais) te esteja a impedir de sequer começar a escrever.
Sei bem pelo que estás a passar, algo que pode ser muito mais prejudicial para a tua escrita do que o bloqueio criativo — a síndrome do impostor, o verdadeiro inimigo da tua escrita.
A síndrome do impostor nos escritores
É uma crença interna que nos impede de alcançar o nosso potencial. Particularmente comum em profissões que envolvem pressão e onde as pessoas são constantemente avaliadas. É, por isso, familiar entre os escritores, que enfrentam uma indústria competitiva e cujo trabalho exige um nível de introspeção que os deixa mais vulneráveis à opinião do público.
Mesmo autores famosos, como Maya Angelou e Neil Gaiman, já confessaram sentir-se impostores. É natural que seja ainda mais desafiante para os escritores menos conhecidos.
Podes reconhecer a síndrome do impostor naquela voz irritante que te diz que não és bom o suficiente, ou naquela sensação de não pertencer a lugar nenhum. Mas ela pode assumir várias formas, e para a detetares terás de observar.
Os sinais de que te sente um impostor
Se não consegues evitar a comparação com outros escritores, achas que todos são mais talentosos que tu, e tens por hábito desvalorizar os teus sucessos atribuindo-os ao acaso ou à simpatia dos outros, isso pode ser um sinal de que estás a sofrer da síndrome do impostor.
Também é frequente o sentimento de não pertença ao grupo, o que pode dificultar a conexão com outros autores e criar relutância em promover o teu trabalho.
Mas os efeitos mais graves da síndrome do impostor são aqueles que atacam a tua escrita, às vezes mesmo antes de começares. Um bom exemplo é o perfeccionismo paralisante, quando a obsessão por um detalhe te impede de terminar um texto. No pior cenário, o excesso de preocupação com a qualidade do que escreves, pode mesmo levar-te a deixar de escrever.
Conhecer os sinais é o primeiro passo para combater esta crença que te faz duvidar que és um escritor. Partilho contigo algumas sugestões para quando este impostor tentar enganar-te.
4 dicas para travar o impostor e destravar a escrita
Reconhece-o — Quando te deparares com os sinais, identifica o impostor. Diz-lhe: Sei que és tu que estás aí! A ideia é atribuir o sentimento à síndrome, em vez de o aceitares como um facto sobre ti.
Tira o foco da perfeição — O primeiro passo é escrever. Se te focas num ideal que vem mais adiante, podes nem sequer alcançar o teu primeiro objetivo. A edição serve precisamente para melhorar o texto, e é nessa etapa que podes trabalhar para a excelência.
Celebra as tuas conquistas — Por pequenas que sejam, reconhecê-las ajuda a construir a tua confiança. Não foi a sorte que conseguiu, foste tu.
Procura uma rede de apoio — Ter pessoas de confiança com quem podes partilhar estes sentimentos, o teu trabalho, e receber opiniões sinceras, é essencial para te ajudar a lutar contra a síndrome do impostor.
E lembra-te: não precisas de um documento que ateste que és um escritor. Não precisas sequer de ser um autor publicado para tal. Escritor é aquele que escreve. Não precisas que te digam quem és. Naturalmente, é sempre mais fácil falar do que fazer.
Um trabalho contínuo e desafiante
Sabendo identificar os sinais e pondo em prática estas ideias já estarás mais preparado para lidar com a síndrome do impostor. Mas isso não quer dizer que te vejas livre dela. O segredo está em aprender a conviver com ela e estar atento ao seu ataque.
É um trabalho contínuo de autoconhecimento e autovalorização. E esse é um caminho de obstáculos, o que para nós, escritores, pode dar à jornada o mesmo suspense cativante que ambicionamos dar às nossas histórias.
Sem dúvida, vale a pena o trabalho, se escreves porque amas fazê-lo. Se escreves porque precisas, porque queres chegar ao outro. Se tu queres escrever, não deixes que um inimigo sorrateiro te faça sentir uma fraude.
E lembra-te, a síndrome do impostor não olha à habilidade, pratica ou sucesso... E por isso, somos muitos neste clube! Só tens de saber que não precisas de fazer o caminho sozinho. Vamos juntos?
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