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Publicar um livro: vaidade, coragem ou um ato de amor?

29 de ago. de 2025
3 min de leitura

Atualizado: 4 de set. de 2025


mesa rústica com livro aberto com um marcador de ardósia em forma de coração; uma pilha de três livros atados com um cordel; uma caneca com café

Se a escrita faz parte da tua vida, acredito que já te tenhas debatido com esta questão — devo partilhar com os outros o que escrevo?

Para alguns escritores iniciantes, essa partilha é natural. Para outros, a exposição na escrita desperta receios e dúvidas: o que será que publicar um livro diz sobre mim? Será vaidade, coragem… ou algo mais profundo?

As conclusões sobre as próximas linhas ficam por tua conta — só quero partilhar contigo o que sinto.

O dilema de partilhar o que se escreve

Entre os escritores iniciantes com quem já me cruzei, ouço receios recorrentes — falados em voz alta — como a crítica dos leitores, o medo do fracasso ou da exposição.

E depois sinto receios silenciosos — talvez porque também os conheço:

E se acharem que o faço por vaidade?

Porque é que alguém há de interessar-se pelo que escrevo?

Será que quero publicar um livro apenas para obter validação externa?

Se estas questões travam a tua decisão de publicar um livro, talvez ajude contar-te uma história real.

Um livro improvável, uma lição inesperada

Ofereceram-me, há pouco tempo, o livro A Biblioteca da Meia-noite, de Matt Haig.

Apesar do título convidativo — quem não quereria estar numa biblioteca à meia-noite? —, a sinopse deixou-me na dúvida. Uma mulher, no limiar entre a vida e a morte, dá por si numa biblioteca onde cada livro representa uma vida que poderia ter tido.

Parecia interessante, mas para alguém em fase de bloqueio profissional, fã de mistérios e thrillers, este livro parecia mais indicado para o autoconhecimento, do que para o entretenimento de férias que eu desejava.

Ainda assim, seduziu-me a promessa de possibilidades infinitas. Tinha de descobrir o que o limbo reservava à protagonista — eis o poder de uma sinopse bem escrita!

Página após página, fui vivendo as suas vidas, desenterrando os seus arrependimentos. E, enquanto o fazia, encontrei paz em decisões que também eu vinha a questionar.

Este livro tocou-me e deixou uma marca na minha memória. E, de certa forma, também contribuiu para o lançamento deste projeto.

O impacto invisível das histórias

Talvez também já te tenha acontecido: um livro, uma cena, uma personagem que ficou contigo para sempre. Algo que te emocionou, te fez pensar ou agir de outra forma.

Provavelmente o autor não planeou que isso acontecesse. Mas escolheu escrever e partilhar, tornando possível esse "encontro de almas" fortuito entre quem escreve e quem lê.

Vaidade ou coragem?

Se ainda receias que a tua vontade de publicar um livro seja vista como vaidade — ou que realmente o seja — lamento não ter uma solução mágica.

Mas vejamos, não é publicar um livro que te torna uma pessoa vaidosa. Se for essa a tua natureza, terás essa atitude em tudo o que fizeres.

O mesmo acontece com os julgamentos: quem quiser ver vaidade em ti, verá — mesmo que não exista.

Por isso, sim, pode ser preciso alguma coragem, se sentes que é difícil lidar com a opinião dos outros sobre o que escreves.

Mas há algo mais forte que o medo — quando persiste o apelo de partilhar o que se escreve, de deixar uma marca no mundo — e isso chama-se propósito.

Publicar: mais do que coragem, um ato de amor

Sempre que me pergunto se devo publicar determinado texto — ou quando dedico horas a rever palavras e vírgulas — lembro-me das histórias que me marcaram, do que aprendi. E penso no cuidado que merecem aqueles que podem ler o que escrevi.

Talvez por sentir esse propósito não consiga ver o ato de publicar um livro como vaidade. De alguma coragem, sim — mas vejo-o, sobretudo, como um ato de amor.

Amor pela partilha com “não se sabe quem”… e pela possibilidade — mesmo que pequena — de deixar uma marca no mundo de alguém.

E não é isso que, de alguma forma, todos queremos fazer?

Estás pronto para tirar o teu livro da gaveta? Não precisas de o fazer sozinho.

Se sentes que chegou o momento de partilhar o que escreves, descobre os meus serviços aqui.

Vamos juntos?

2 comentários


Cláudia Barreiros
Cláudia Barreiros
02 de set. de 2025

Às vezes basta dar o primeiro passo para se iniciar uma bonita história. Nunca será vaidade proporcionar aos outros uma viagem através da leitura. Bem haja a quem tem a coragem de o fazer.

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Raquel Barreiros
Raquel Barreiros
04 de set. de 2025
Respondendo a

É mesmo isso que penso. Obrigada. 😊

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